sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Num trem pras estrelas...


Sabe-se que mais de uma vez acredita-se no que não se deve acreditar. De fato o ser humano é, por natureza, iludido. Na verdade o ser humano deveria se autodenominar 'Iludido'. Fato. Na verdade não descobri ainda se é uma falha apenas minha. Acreditar nos sonhos. Acreditar? Nos sonhos?... Puta merda! Que sonhos? Que crença? Desistiria com muito mais urgência se o sonho não residisse ge(r)minado a esse sentimento de ilusão e crença. E quando na verdade tudo começou com um "Eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano". Sim, foi assim. E agora não passa de uma correnteza. Correnteza regada de sonhos. Rio que flui no manancial dos sonhos... E Bela, menina fria e rude, se banha e se toma dessa água desse rio. O rio dos sonhos que ela jogou e se jogou dentro. Mergulhou fundo, tão fundo que agora perde o chão e não tem, tampouco, forças de subir e respirar. Sufoca, mas às vezes se vê como uma sereia... Meio peixe meio gente. Sufocada encontra forma de respirar em meio a tanto sufoco... Vez ou outra pensa que vai morrer, que não vai aguentar... Mas na verdade tudo não passa de um momento. Momentos, instantes-já. Deveria vivê-los certamente... Não crê em si, nos outros. A única coisa que vê realmente, é o rio que corre... Corre e se joga. Joga-se no rio, ilusões... Chove lá fora...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Meu amor, meu bem me ame.





Chega de andar pra trás, passos dados na direção contrária? vamos nos entregar, vamos acreditar. é tanto o tempo e o relógio às vezes nem anda mais. Queria saber pra onde vão aqueles pássaros quando passam pela minha janela sempre na mesma hora cantando... Alçam vôo e vão. Me deixam plantada na janela, sem alcançar seu destino. Talvez devesse ser assim... Lançar uma jangada de madeira no alto mar e viver essa imensidão azul repleta de mistérios. Gostaria de viver essa fortaleza que cultivo e não consigo realmente fazer uso da mesma. Beleza é essa do sorriso que muitas vezes se vê preso. Preso por não querer deixar pra trás certas coisas que me trazem de volta, retrocedem. Retroceder é a palavra que significa tanto bem tanto mal. Retroceder e avançar, retroceder e recuar. Retroceder e permanecer. Retroceder e afundar? Qual procedimento de retrocesso você assume agora? "Vou andando sem saber aonde ir, andando eu vou...". Andar parado, em círculos? Força de postura. Pontos. Sou viciada em usar pontos. Pontos quebram, pontos firmes, pontos acabam. Acabam pra começar novamente e novamente um ponto. E aí? Que porra é essa? Finitude infinita. E quando as palavras já não bastassem, todo o encanto é maligno e feitio de apaixonado. Apaixono-me a cada momento, mas ao mesmo tempo me desapaixono. Agora é fácil dizer que sim, que sim, que não. Que talvez, que não? Ou sim? Quem diz que manda na palavra não manda na verdade no que quer dizer. Entorpecido pelo veneno do momento, talvez pela fúria do arrependimento contido. Agora é fácil deixar o líquido subir, alcançar o esôfago e a garganta. Expeli-lo, vomitar, ânsia de vômito. Sente-se fraco agora? E então? Feche a boca, engula novamente esse nojo de remorso que te contem. Liquido azedo, marcado por todas as feridas que nos causamos. Re-enguliremos nossas tristezas e marcas, nossas mágoas, nossas atitudes perversas e egoístas. Vem até a garganta novamente, queremos nos desfazer disso, esquecer, botar pra fora o que nos causa tanto mal estar - NÃO! ENGULA, IMBECIL. Agora sinta novamente toda essa densidade liquida, azeda. Cada vez mais azeda e tão feia, cinza, verde, APODRECIDA. Pelo tempo, por ter sido conservada por tanto tempo, dentro de você. É como um filho apodrecendo no seu ventre, e você se orgulhou por tanto tempo dessas atitudes egoístas e nojentas. FRAQUEZA FILHA DA PUTA que os fez errar tantas vezes. JOGUE FORA, QUERO VOMITAR! DEIXE-NOS VOMITAR TANTA PUTREFAÇÃO que temos guardado por tempos... Deixe que recomecemos, sem rancores. Agora é tarde, o ser humano, ser frágil e defeituoso é refém de suas memórias, de suas fraquezas. Quem pensou que poderia ser mais forte e ágil do que todo esse sentimento maluco e nojento? Ande, suma, corra, lave. Lave a alma. Lave as memórias e cante. Cante pra ser feliz, dance. Dance pra viver, sorria. Sorria pra tentar esquecer. Esqueça pra fazer de conta. Faça de conta pra tentar recomeçar. Recomece para, novamente, errar. Erre para aprender. Aprenda para nunca mais. Nunca mais para sempre. Sempre para sempre!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


"On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main
Alors on tend la main et on se retrouve fou..."

domingo, 6 de fevereiro de 2011

dias de figurinha


É nessa hora que levanto da cadeira, o bar já nem tão cheio quanto na hora em que cheguei. Os copos já nem tão cheios quanto no início. Os olhares são esguios e uma menina maluca dança. Dança, pede samba, pé de samba. “A menina dança”. Toca assim e a menina ainda dança... Na verdade o dançar é como ocorre dentro daquele corpo moreno. Não faz sentido ficar parada... Ela não quer! A vitrola já não roda, mas o samba acontece. Pega a caixa de fósforo e o chocalho. O violão já debocha notas até não querer mais! No canto do cisco no canto do olho a menina dança! Alegria de lua cheia, noite iluminada. É tanto sorriso que dá gosto, meu Deus! Que alegria de vida é essa. Se fosse todo dia assim! Um dia a gente lembra daquela farra ali naquele barzinho daquela tia véinha que ninguém sabe, até hoje, qual é! É tanta gente diferente reunida numa só! A farra mais sideral e completa que existiu. Um poeta maluco recita uma poesia inventada, o dia amanhece... Enquanto isso o violão canta Vinicius de Moraes e todo mundo se deleita naquele som! Gritando poesia e inspirando canção a noite se fez. Se fez tanto a noite que chegou o dia! Cansaço não existiu e todo mundo já se abraçava por não querer ir embora! A alegria daquela noite deveria durar para sempre. Mas quem disse que memória não é pra sempre? Tanto que confirmo, do fundo das minhas certezas, todo ser que ali esteve presente, ainda hoje se recorda do dia em que a noite se fez manhã e abraçamos os sorrisos uns dos outros. Digo amém; alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração!