
Sinceramente, não sei o que me toma, que sensação é essa estranha, é essa que me consome quando olhando em seus olhos. Que desarme é esse, feitio de apaixonado. Mas não foi assim dessa vez. Quer queira, quer não queira, desvencilhei-me de tentativas, mas a órbita sideral dos encantos me levou, me sugou. Loucura sã, como paradoxalmente. Lembro-me bem de seu olhar seco, seco de carne, intenso em querer-me. Partiria nos cinco primeiros minutos em que tentasse, se contra minha vontade fosse, sentir meu cheiro, sentir meu beijo. Porém não o faria nunca para contrariar o motivo do acelerar o pulsar de meu coração, o correr ágil do sangue em minhas veias, naqueles cinco minutos, que se encarregaram de levar consigo uma hora e meia, noventa minutos. Chama ardente. Não há definição, pois não chamo de paixão, tampouco de amor. Me queimou, me levou, voei com ele por dentro de seus olhos e nossos corpos dançaram juntos, deixando que os instintos devorassem a sede que tínhamos de já haver se controlado uma vez. Duas vezes seria demais. Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados a acontecer. E aconteceu. Fomos um ao outro como um relógio que anda pra trás, revivendo o tempo que passou, o tempo antigo que se foi. E lá estávamos, indo embora, um sorriso de borboleta sideral. A luz do sol, o sorriso voa em direção ao piscar de olhos do corpo que insano por ser quase saciado, vai, e insensível às originalidades de uma rua de pedra, deixa uma camisa de botão voar e cair no chão. Embriaguez, vertigem. Abaixa, pega a camisa, e segue... Até segunda.
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