sábado, 29 de maio de 2010
O Caminho
Aquela garota tida como vulgar, de olhar fundo e torto, que gostava de usar um allstar no estilo cazuza e calça comprida... Aquela garota de cabelos grossos e emaranhados, por vezes presos num cocó no topo da cabeça, andava sempre desligada na percepção alheia. Não os cabia, porém, sentir o que aquela garota sentia. Mas é claro! Não estavam de acordo com sua percepção lúcida ou malúcida de mundo. Chamavam-na de Malu. Sentia entorpecer os músculos faciais quando a ela se referiam como uma desligada maluca. Claro, não viviam como ela, em sua filosofia introspectiva, por vezes vivera. Por outro lado, sabia que tais comentários deixavam-na magoada se vindos de entes próximos e queridos. Desde então, decidiu que sua caminhada seria sozinha. Seria só, somente só. Mas não SO de SOMENTE, SÓ de SOZINHA. Desistira das relações interpessoais e de tanto ainda mais das que são tão significativas. Por conta de tal fato, o que acabo de relatar, deu seu primeiro passo, sozinha. Andou primeiro por dentro de sua casa, em seguida, foi um pouco mais longe, e percebendo coisas antes não percebidas, viu que poderia encontrar o que precisava: forças ou estímulos, em coisas que jamais pudera notar. De repente parou, sentou. Resolveu olhar um pouco o céu. Sabia que lá, lá de cima (num tom extra convencional), alguém a olhava. Queria saber mais de todo esse mistério que é a vida. A lua, as estrelas, o sol, o mar; todo esse conjunto de elementos que balançam o mundo! Em sua reflexão, pensando agora não mais nos elementos naturais provindos de centenas de milhões de anos, se perguntava o motivo pelo qual as pessoas não a compreendiam, ou até mesmo não pudessem ser plenas em suas relações. Por que não demonstrar amor, afeto, carinho verdadeiramente? E daí se perguntava ainda se haveria de ter um motivo explicativo por ser e se sentir tão diferente dos demais. Não por saber ou ter mais que os outros, mas por ser incessante na busca de uma razão mística que a fizesse entender, mais do que qualquer outra coisa, o motivo pelo qual as pessoas não conseguiam ser sinceras em suas relações. Desistindo desses pensamentos, levantou e seguiu... Agora estava sozinha! Poderia percorrer e explorar lugares e sensações jamais sentidas. Confessava de Eu para Eu, que sentia dificuldade nessa sua nova caminhada auto-suficiente. Havia de ser assim. Não deveria mais desgastar ou desperdiçar seus atos e gestos com pessoas que não mais faziam, além de um olhar fingido de gratidão. Prazer pelo prazer? Fazer por vaidade, apenas à espera de um agradecimento? Que fosse. Não queria mais, simplesmente, ter de se desgastar em nome de quem não merecesse. Prezaria mais pelo seu Eu – que desde algum tempo, somente sofrera - .
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